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Vítimas de choques com "treminhão" dobram na região de Ribeirão

10/8/2009 -  Vítimas de choques com "treminhão" dobram na região de Ribeirão

Robson Lima, 26, Daniel Francisco, 29, Rodrigo Antonio, 25, não tinham ligação com a agroindústria até a safra deste ano, quando perderam a vida em acidentes diferentes envolvendo caminhões canavieiros na região de Ribeirão Preto, que fica a 314 km de São Paulo.

Alguns desses veículos puxam até três carretas. São conhecidos como "treminhões".

A morte dos três jovens engrossa uma estatística que teve forte alta neste ano, segundo a Polícia Militar Rodoviária.
Desde o início da safra, em 1º de maio, 16 pessoas morreram em estradas da região em acidentes envolvendo veículos que levam cana de lavouras para usinas, onde o produto é transformado em açúcar ou álcool. Nenhuma das vítimas era motorista dos caminhões.

Mesmo com só três meses de safra, as mortes representam quase o dobro do número de vítimas nesse tipo de acidente durante todo o ano passado.

Uma das explicações para as mortes, na opinião de sindicatos, especialistas e Ministério Público do Trabalho, está no fato de as usinas aplicarem no transporte a mesma lógica que rege o trabalho nas lavouras.

Assim como os boias-frias são pagos pela tonelada de cana cortada, os transportadores terceirizados, que representam metade dos 10 mil caminhoneiros que abastecem a indústria na região, recebem por peso.

Para ganhar mais, os terceirizados transportam até o dobro de carga do que é permitido pela legislação e trabalham, em média, 12 horas por dia, a maioria sem folga durante a safra, segundo 30 motoristas e quatro sindicatos ouvidos pela Folha.

Para os sindicatos que representam a categoria, falta fiscalização. "Falta o Ministério Público do Trabalho ficar mais em cima. Com os contratados das usinas, houve fiscalização e a situação melhorou, aí a jornada foi reduzida para 8h. Foi quando começou a onda de terceirização desenfreada para as usinas escaparem da fiscalização", disse Fábio Miguel Luchi, presidente do Sindicato dos caminhoneiros de cana de Guariba.

O Ministério Público do Trabalho admite que centrou a fiscalização no corte da cana. "A prioridade eram as lavouras. Mas devo entrar com ação na Justiça para obrigar empresas a cobrar redução de jornada dos terceirizados", afirmou Charles Lustosa Silvestre, procurador do Ministério Público do Trabalho em Ribeirão Preto, que tem cinco inquéritos abertos por excesso de jornada.

A prática de transportar mais cana para ganhar melhor leva o caminhoneiro a cometer uma segunda irregularidade, dirigir com velocidade inferior à metade da velocidade máxima permitida nas pistas. Em trechos de subida, a velocidade máxima de um veículo canavieiro é de 25 km/h, quando deveria ser de 40 km/ h.

"É por isso que muitos acidentes ocorrem por colisões traseiras. À distância, o motorista não consegue avaliar a que velocidade está o caminhão. Quando ele percebe [a lentidão], já está muito próximo e não consegue frear", afirma Coca Ferraz Ferraz, doutor em transportes e professor titular da USP de São Carlos.

Segundo Luiz Eduardo Ulian Junqueira, tenente e comandante interino da 4ª Companhia de Policiamento Rodoviário de Ribeirão, não há como fiscalizar e punir motoristas que andam abaixo da velocidade mínima exigida nas rodovias porque o radar que registra o excesso de velocidade não consegue aferir baixa velocidade.



 
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