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Desde 2018, UNICAM realizou três pedidos visando segurar aumentos de óleo diesel

Solicitações não foram atendidas e atual crise internacional ameaça encarecer combustível no Brasil

O presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, José Araújo Silva, o China, foi contra o acordo que pôs fim à greve dos caminhoneiros deflagrada em maio de 2018. Motivo: o subsídio ao óleo diesel proposto pelo Governo Federal à época iria durar apenas 3 meses (Medida Provisória 838). Após muita reclamação, o benefício foi estendido até dezembro do mesmo ano (por força da lei 13.723/18). China ainda ficou descontente. “Uma categoria parou o Brasil e recebeu esmola em vez de dignidade”, protestou ele.

O primeiro documento foi encaminhado em novembro de 2018 à Comissão de Assuntos Econômicos do Congresso. Já o segundo, seguiu dia 8 maiopara a  equipe do Ministério da Infraestrutura. E, por fim, em julho de 2019, a UNICAM pautou o tema no 33º Fórum do Transporte Rodoviário de Carga, ocorrido em Brasília, em mais uma tentativa que não gerou qualquer reação. “Nossa parte fizemos e ainda estamos fazendo: pressionar as autoridades a nos ouvirem”, afirma China. 

Alguns especialistas apontam que um dos principais motivos para os aumentos sucessivos nas bombas é a política de preços da Petrobras, que desde 2017 define o valor do combustível nacional de acordo com o que é praticado no mercado externo, ainda que o produto comercializado tenha sido refinado no Brasil. O aumento galopante do óleo diesel foi um dos propagadores da greve geral dos caminhoneiros em 2018.

Menos refinarias, maior o preço

EUA, Irã e Iraque, países envolvidos em recente conflito militar, fazem parte da lista de maiores produtores de petróleo. Como os combates estão afetando as estruturas iraquiana e iraniana, a instabilidade no preço dos combustíveis é quase inevitável. Soma-se isso às tensões políticas e às decisões drásticas que elas podem provocar

O que agrava esse cenário é que a Petrobras, cujo sócio majoritário é o Governo Federal, tem refinado menos combustível no Brasil e exportado mais óleo cru. Assim, a empresa exporta matéria-prima e importa produto com valor agregado, ou seja, mais caro.

De acordo com notícia publicada dia 10 de janeiro, no site Monitor Digital, “a segurança do abastecimento e dos preços dos combustíveis no mercado brasileiro pode ser ainda mais comprometida se os planos da Petrobras de vender oito de suas 15 refinarias for adiante. Isso fará com que a Petrobras perca escala e capacidade de regular preços no mercado interno, deixando o consumidor ainda mais à mercê da volatilidade internacional”.

Subsídio e desoneração 

A mesma notícia ainda cita dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): “Entre 2014 e 2019 o processamento de petróleo nas refinarias brasileiras caiu quase 20%. Enquanto isso, a importação de derivados já responde por 17% do consumo nacional, segundo levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep). Em 2009, esse percentual era de 5%”, informa o site.

Recentemente (13/1), a Petrobras anunciou redução de 3% na gasolina e óleo diesel, mas o Governo continua sustentando que não irá subsidiar os produtos para manter o preço ante a possível escalada do valor no mundo. Diante disso, especialistas afirmam que a tendência de aumento continua sendo a mais provável. Uma outra alternativa seria também desoneração das bombas. Tributaristas afirmam que a maior parte do preço final corresponde a impostos, dentre eles o ICMS, renda dos Estados. “O Brasil precisa se proteger e esse é um conselho que estou reforçando desde 2018”, avisa China, que lamenta as dificuldades econômicas pelas quais passam os caminhoneiros do Brasil. E conclui: “Não vou abandonar essa categoria que carrega o Brasil nas costas”.