Greve de caminhoneiros no dia 16 é possibilidade remota

Rumores sobre uma nova greve de caminhoneiros ganharam força nas redes sociais, mas nem o governo nem lideranças do setor acreditam nessa possibilidade

Uma nova greve de caminhoneiros a partir do dia 16 é uma possibilidade muito remota. Rumores sobre uma nova paralisação da categoria ganharam força na semana passada. Mas nem o governo nem lideranças do setor acreditam nessa possibilidade.

A suposta greve de caminhoneiros seria motivada pelos sucessivos aumentos no preço do diesel. E também pela demora na aprovação de uma nova tabela de frete, com valores atualizados.

Porta-voz da Presidência da República, o general Otávio Rêgo Barros disse que a possibilidade de uma paralisação é pequena. De acordo com ele, o ministro Tarcísio Gomes de Freitas mantém as portas do Ministério da Infraestrutura “abertas para o diálogo.”

Presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, confirma que há rumores sobre uma possível greve nas redes sociais. Mas pondera: “Para organizar uma greve tem que ter uma pauta e até agora só há barulho.”

“Estou direto na estrada, paro nos pátios para conversar com os caminhoneiros e só ouço rumores. Não falei com nenhum motorista que vai aderir à paralisação”, afirma o sindicalista.

China lembra que no dia 20 de janeiro será divulgada a nova tabela de frete. “Vamos analisar se o governo vai começar a atender nossas demandas. Desde a paralisação feita no ano passado, nada mudou”, diz.

Nova tabela de frete

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgará a nova tabela de frete no dia 20 de janeiro de 2020. Um estudo feito pelo grupo de pesquisa em Logística Agroindustrial ESALQ-LOG, ligado à Universidade de São Paulo, informa que o setor espera um reajuste médio em torno de 14%.

Contudo, China teme que não haja reajuste nos valores pagos aos caminhoneiros. Segundo ele, em audiência pública feita na  ANTT no dia 22 de novembro, os representantes dos embarcadores se recusam a negociar aumento para o frete.

“Tem de haver fiscalização por parte do governo para que se faça cumprir o pagamento justo e estabelecido”. China diz que se isso não ocorrer, a categoria terá motivos para uma nova greve. “O caminhoneiro tem de sobreviver”, afirma.

Na atualização feita no dia 12 de novembro, a resolução da tabela de frete traz alteração no artigo 3º. Com isso, o lucro, os valores relacionados às movimentações logísticas complementares e as despesas de administração, alimentação, pernoite, tributos e taxas, entre outros itens, deverão ser negociados para compor o valor final do frete.

“O maior benefício da tabela de frete é estipular um piso mínimo que cubra os custos do caminhão e que sobre para o motorista se manter. A fixação desse piso é a garantia de que o motorista não terá prejuízos”, afirma China.

Greve de caminhoneiros parou o Brasil

Deflagrada em maio de 2018, a primeira greve de caminhoneiros parou o Brasil. A principal reivindicação era a redução da carga tributária sobre o óleo diesel. Segundo a categoria, o combustível representa 42% do custo do frete.

O governo anunciou uma redução de R$ 0,46 no preço do diesel, provenientes do fim da Cide sobre o combustível e de uma diminuição da alíquota de PIS/Cofins. Além disso, se comprometeu a publicar uma tabela que regulamentava preços mínimos para o preço do frete.

A primeira versão foi contestada por produtores rurais e pela indústria. Os dois setores alegaram que a cobrança do frete iria inviabilizar o setor produtivo. Foi elaborada uma segunda versão, que reduzia em média 20% dos valores mínimos do frete.

Poucas horas após ser publicada e com críticas de diversos setores, o governo revogou a tabela. Foi só pouco antes do recesso parlamentar e com forte pressão dos caminhoneiros que o Congresso aprovou a tabela de preços mínimos para o transporte rodoviário.

Houve também a isenção da cobrança de pedágio por eixo suspenso de caminhões vazios  em todo o Brasil. Além disso, ficou combinado que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) contrataria 30% de seus fretes com caminhoneiros autônomos.