Operação desvenda ‘buraco negro’ onde caminhões-tanque sumiam

G1

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais(Deic) realizaram na manhã desta segunda-feira (13) uma  ação contra uma quadrilha que atua no roubo e comércio de 600 mil litros de combustíveis por mês na região de Campinas (SP). A Operação Petroleiros desvendou o mistério envolvendo um trecho da rodovia Professor Zeferino Vaz, no trecho entre Paulínia e Cosmópolis, conhecido como buraco negro, onde os caminhões-tanques desapareciam dos equipamentos de monitoramento e, horas depois, eram abandonados a 50 quilômetros do local. Oito pessoas foram presas.

Durante o ‘sumiço’, todo combustível era descarregado. Segundo os policiais, o esquema  movimenta, em média, 600 mil litros entre etanol, gasolina e óleo diesel por mês. Cerca de 60 agentes cumprem mandados de prisões em Campinas e Paulínia.

Os alvos da operação foram os donos de transportadoras e de postos pertencentes aos líderes, que se intitulavam petroleiros. O esquema começou a ser apurado em outubro do ano passado por integrantes da 2ª Delegacia de Investigações sobre Roubo e Furto de Cargas.

Os policiais realizaram um trabalho de levantamento dos horários dos ataques, locais de encontro dos caminhões e das câmeras de segurança das rodovias. A análise dos dados revelaram a estrutura organizada da quadrilha.

Armas aprendidas durante a operação (Foto: Reprodução/EPTV)
Armas aprendidas durante a operação
(Foto: Reprodução/EPTV)

Apreensões
Além dos oito mandados de prisão, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e apreendidos celulares, dinheiro, armas, computadores e também aparelhos que inibem o sinal de rastreadores.

O local onde funcionava a transportadora Titan, em Paulínia, ficou cheio de viaturas de polícia.

Vários carros e 12 caminhões também foram apreendidos. Pelo menos um dos caminhões estၠcom o chassi e placa adulterados. Além de identificar a procedência, a polícia quer saber se os veículos estão com tanques adulterados.

Inibidores de sinal
O próprio ataque é realizado como uma precisão logística. O caminhão é cercado na rodovia e ‘desaparece’ devido ao uso de dispositivos inibidores de sinais de rastreamento. Depois, os bandidos descarregam os produtos em grandes tanques dentro de empresas especializadas nesse tipo de transporte. Mas com um detalhe: as firmas pertencem aos líderes da quadrilha.

Segundo a polícia, o destino dos combustíveis, na maioria das vezes, abastecia a rede de postos da quadrilha instalados em Campinas, Valinhos, Hortolândia, Mogi Guaçu e Piracicaba. Os policiais descobriram que a quadrilha conta até com um aparato técnico para evitar problemas de qualidade dos produtos. Um químico orienta procedimentos e manipulações de reagentes para melhorar a qualidade da gasolina.