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Imprudência de caminhoneiros aumenta número de mortes nas estradas de Minas

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PRF aponta que, mesmo com menos acidentes, número de mortes em tragédias envolvendo caminhões cresceu 32% em Minas no primeiro semestre. Alta velocidade é maior problema

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Uma combinação perigosa tem sido fatal nas rodovias federais de Minas. O excesso de velocidade, a falta de atenção e a imprudência ao volante de caminhões têm provocado cada vez mais mortes em estradas de traçado sinuoso e manutenção inadequada que cortam o estado. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que, apesar de redução de 12% no total de batidas entre o primeiro semestre de 2016 e o mesmo período deste ano – passando de 2.212 para 1.946 –, o mesmo não ocorreu com o número de óbitos, que saltaram de 68 para 90. A alta foi de 32,3%. O total de feridos graves também aumentou: passou de 129 para 145.

Segundo a PRF, o comportamento do condutor foi determinante na maioria das tragédias este ano. No primeiro semestre, 55,5% dos acidentes com morte ocorreram por velocidade incompatível com a via. Em 2016, esse percentual era de 41%. Mesmo que caminhoneiros sigam todas as regras de circulação, porém, especialistas alertam para o risco de qualquer acidente envolvendo veículos de carga. Exemplo disso ocorreu no domingo, quando sete pessoas morreram após batida envolvendo uma carreta, um carro e uma moto na BR-116, em Itambacuri (Vale do Mucuri). Dos envolvidos no acidente, apenas o motorista da carreta sobreviveu.

Na versão do caminhoneiro, dada à PRF e ao Corpo de Bombeiros, ele seguia em direção a Governador Valadares quando foi surpreendido pela moto desgovernada, no sentido contrário da BR-116, na contramão de direção. Ele informou que teria tentado evitar a batida, mas não conseguiu e ainda acertou a Parati que também estava no sentido contrário, em direção a Teófilo Otoni, mas seguia em sua mão de direção. Uma das hipóteses levantadas pelo próprio motorista do caminhão para a batida é um possível deslocamento de ar que pode ter desequilibrado a moto no momento em que ela cruzou com um caminhão-baú, momentos antes de encontrar a carreta. A moto, cujos dois ocupantes seriam de Itambacuri, ficou completamente destruída e pegou fogo após a batida. Já os ocupantes da Parati seriam de Nanuque, na mesma região. O motorista do caminhão passou pelo teste do bafômetro e não havia ingerido bebidas alcoólicas.

 

Corpo de Bombeiros/Divulgação

Já na madrugada de ontem, um caminhoneiro foi a vítima de um acidente na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele morreu depois que o veículo que dirigia bateu na traseira de outro caminhão na altura do km 570 da BR-381, em Itatiaiuçu. De acordo com a PRF, no momento da batida ocorria uma manifestação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), com interdição total das pistas no sentido BH. Havia caminhões no fim da fila do congestionamento e a suspeita é de que o motorista acidentado não tenha conseguido frear o veículo a tempo. O protesto, segundo a PRF, ocorria devido a uma ordem de reintegração de posse programada para hoje.

Especialistas em transporte apontam várias razões para o aumento da letalidade em 2017. Para o engenheiro civil Silvestre Andrade Puty Filho,  mestre na área de transportes, os demais veículos na via sempre terão desvantagem em relação ao caminhão no caso de tragédias. Além disso, como esses veículos pesados são cada vez mais modernos, há casos em que o motorista abusa da velocidade e se envolve em acidentes por imprudência. “De modo geral, quem morre em acidentes com caminhões são sempre os ocupantes de veículos de passeio e de motos, sendo que neste último caso as pessoas estão ainda mais desprotegidas. Houve uma tendência nos últimos anos de substituição de tecnologia e com isso, os caminhões têm mais eixos, estão maiores, com maior capacidade de carga e também mais potentes. Quando trafegam em rodovias como as nossas, a maior parte delas antigas, com traçado sinuoso e malconservadas, isso se torna ainda mais perigoso, porque esses veículos são muito difíceis de ser parados”, afirma Silvestre.

 

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DUPLICAÇÃO O especialista também aponta como complicador a falta de duplicação para estradas de tráfego intenso e com grande volume de caminhões, como é o caso da 116 e da 381, em direção a Governador Valadares. Ele acrescentou que, com oferta menor de fretes no mercado, caminhoneiros costumam reduzir custos para conseguir trabalho, o que pode implicar queda de manutenções nos veículos e em grandes jornadas de trabalho, sem intervalo adequado. “Assim, o motorista trabalha cansado, sonolento, desatento ao trânsito e pode, até mesmo, fazer uso de produtos para se manter acordado”, afirma.

Para a PRF, o excesso de velocidade é o maior sinal de alerta para o aumento das mortes em 2017, já que 55,5% das mortes ocorreram por essa causa. Na avaliação da inspetora Flávia Cristina, “falta conscientização”. “Ainda há muito motorista imprudente no trânsito, não só caminhoneiros, porque a segurança nas estradas depende de todos. A PRF trabalha para frear infrações, mas o motorista tem que ter em mente que a vida dele e das outras pessoas ficam em risco quando ele trafega em alta velocidade”, defende. “O motorista tem que priorizar a vida e não os prazos de trabalho”, acrescenta.