Manutenção é o grande problema das estradas rurais de Uberaba

G1

Com previsão de retomada em fevereiro, a manutenção das estradas rurais de Uberaba é um anseio entre os moradores e produtores rurais que trafegam pela malha viária de cerca de 5 mil km. Buracos, acidentes e problemas com chuvas fazem parte da rotina. As vias fazem divisa com Veríssimo, Ponte Alta, Nova Ponte, Água Cumprida, Delta, Conceição das Alagoas, Conquista e Uberlândia. A revitalização e manutenção são estimadas em cerca de R$ 2,5 milhões.

O projeto idealizado pelo poder público e empresas privadas é realizado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento do Agronegócio (Sagri) e Meio Ambiente (Semam), em parceria com o Sindicato Rural de Uberaba (SRU).

Para o produtor rural Adilio Camargo Júnior, mesmo com o suporte das usinas, a falta de manutenção por parte do Executivo é o principal problema nas vias rurais de trânsito. Perto da fazenda que arrenda no km 838 da BR-262, indo para Campo Florido, a degradação do solo somada à falta de cuidados retrata uma situação que Adílio afirmou ser comum na malha viária rural de Uberaba.

“Para chegar à propriedade que arrendo são 2 km de estrada de terra, que tem uma conservação ruim. A Prefeitura passa máquina uma vez por ano, isso quando passa. Eu acho que deveriam qualificar os patroleiros. Nessa estrada de terra tem muito barranco na lateral e temos que tirar poças de água porque a estrada é funda. Teria que fazer uma prevenção de retenção de água com bolsões ou curva de nível, que é a elevação de terra que segura água. A situação leva terra, areia e outras impurezas para a estrada. O grande problema das estradas rurais é a falta de manutenção”, reclamou.

De acordo com o titular da Sagri, José Geraldo Borges Celani, e o chefe de departamento de construção e conservação de estradas rurais, Lourenço Martins, o serviço de manutenção é continuo, portanto não existe uma data para conclusão das atividades. Além dos fatores climatológicos, o tráfego de veículos pesados contribui para o desgaste das estradas.

“As etapas de manutenção das estradas compreendem desde tapar buracos (períodos chuvosos), até levantamento de greide e cascalhamento, dentre outras atividades. Trabalhamos com três frentes para conseguirmos alcançar nossa meta de 2016: início da BR-050, na região da comunidade da Palestina até a divisa com o município de Nova Ponte; BR-050 sentido casa azul até a divisa com o município de Veríssimo; BR-262 sentido Rio Grande”, afirmou.

Problema generalizado
Dono de fazenda a 1 km da MG-190, na comunidade de Santa Rosa, o produtor rural Ronan Resende da Costa destaca que a estrada de terra da região gera problemas para o trabalho com pecuária. Com o nivelamento da estrada, a imprudência passou a ser constate.

“Já vi bastante acidente por aqui. Eu estou na dificuldade porque não quiseram fazer quebra-molas pra mim e os motoristas passam correndo e matam as criações. Ela (estrada) estragou um pouco por causa da chuva. Devido a terem levantado o nível de terra e cascalho há cerca de um ano, os motoristas começaram a correr mais e chegam a capotar”, relatou.

A rotina dos alunos da Escola Municipal Vicente Alves Trindade, situada no km 12 da MG-190, também em Santa Rosa, não sofre interferência devido à situação das estradas rurais. A diretora Elvia Maria Maciel afirmou que atualmente a instituição tem 310 estudantes e, no caso de problemas na estrada, o suporte é satisfatório.

“Nossos alunos são filhos de proprietários de pessoas que trabalham nas fazendas. Quando tem algum problema de estrada com interdição, a gente solicita e geralmente é bem atendido pela Prefeitura, ou os próprios moradores arrumam. Nunca tivemos problemas com a chega dos alunos na escola, quando acontece é muito raro e se trata de questões da natureza”, afirmou.

A insatisfação também faz parte da rotina de quem trafega pelas vias de acesso à Capelinha do Barreiro. O aposentado Lázaro Gonçalves vive na comunidade desde 1977 e afirma que, anualmente, a via rural sofre com as chuvas.

“Está ruim e com o tempo de chuva não tem como melhorar. A escola da Capelinha tem uns 550 alunos e depende das estradas para levar os alunos para escola. De vez enquando acontecem acidentes, mas principalmente entre caminhões de cana de açúcar e moto. Por aqui passa caminhão demais, é o ponto dos canavieiros. É uma estrada de altos e baixos e nessa época de chuvas não tem como não ter buracos”, disse.

Expectativa de resultados
De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio e o Departamento de Construção e Conservação de Estradas Rurais, o trabalho ao decorrer do ano foi dividido em 14 setores:
– URA 090 (início na região do Cefet, passando pela comunidade da Palestina, Estação do Eli e região do Calcário),
– URA 305 (início na BR-050 até o assentamento Santa Tereza do Cedro),
– URA 010 (região da Copari até a comunidade da Palestina),
– URA 115 (inicio na comunidade de Santa Fé, na MG-190, até a Usina Uberaba),
– URA 341 e 340 (início na comunidade de Santa Fé, na MG-190, ligando a BR-262 à comunidade de São Basílio),
– URA 350 e 348 (inicio na MG-190 até a BR-262 região da comunidade de Santa Rosa),
– URA 310 (inicio em Peirópolis até Ponte Alta),
– URA 030 (se inicia na penitenciária de Uberaba e finaliza na divisa com Delta),
– URA 155 e 384 (início na MG-427 até à comunidade da Baixa e Mata da Serraria),
– URA 363 e 371 (inicio na comunidade da Capelinha do Barreiro até à divisa com o município de Conceição das Alagoas),
– URA 30 (inicio na BR-050 sentido Casa Azul),
– URA 240 (inicio na BR-050, na posição do Posto Bandeira, até à divisa com Veríssimo),
– URA 215 (início na BR-050, posição na região do Calcário Triângulo, até à região de Monte Castelo),
– URA 205 (início na BR-050 até à divisa com Uberlândia).

“Com a revitalização das vias rurais, melhoraremos o escoamento da produção, teremos maior segurança no transporte das vans escolares e melhoraremos o acesso a estas vias. Ressaltamos que a manutenção das estradas rurais é um serviço contínuo e que estamos trabalhando para melhorar cada vez mais a acessibilidade as vias e atingir a maior área possível de cobertura para revitalização das estradas”, concluiu o titular da Sagri, José Geraldo Borges Celani.