Motoristas correm risco em rodovias sem sinalização

O Progresso

Como se já não bastassem as reclamações das condições do asfalto da Perimetral Norte, em Dourados, motoristas que trafegam pela MS-276, entre o distrito de Indápolis (Dourados) e Deodápolis, têm reclamado da falta de sinalização.

Em alguns trechos há presença de buracos, mas é a falta de placas de advertências e de pintura adequada na pista que tem causado indignação dos condutores.

Como faltam placas indicando curvas, o trecho se torna perigoso, principalmente à noite. Motorista há mais de 30 anos, Ideval Pereira da Silva já escapou de tragédia. “Utilizo, para trabalho, a MS-276 entre a noite e madrugada e confesso que mesmo conhecendo a rodovia a gente é pego de surpresa em cima da curva”, relata. Ele já se livrou de acidentes por ser cauteloso ao pegar a estrada. “Mesmo respeitando a velocidade permitida a gente passa por sufoco, por falta de sinalização, imagina para quem não conhece o local?; É acidente na certa, não é?”, indagou.

 Motoristas reclamam da falta de sinalização - foto Hédio Fazan.jpg


Motoristas reclamam da falta de sinalização – foto Hédio Fazan.jpg

A MS-276 era frequentada principalmente por moradores da região que já conhecem o caminho, no entanto, desde que a BR-163 passou a cobrar pedágio no final de 2015, as rodovias estaduais têm sido muito utilizadas, principalmente por carretas. A MS-276 é um dos principais atalhos para quem sai de Dourados com destino a Deodápolis, Ivinhema, Nova Andradina e São Paulo.

Márcio Siqueira vai a Nova Andradina uma vez ao mês e diz que prefere utilizar a MS-376. “Não vou por Indápolis porque já me deparei várias vezes com carretas quebradas na pista e no local quase não há acostamento, sem contar com sinalização horizontal e vertical que é precária”, relatou, questionando que a MS-376, passando por Fátima do Sul não é maravilha. “É uma pista mais sinalizada, mas o motorista precisa ter muita atenção”, relatou.

Na MS-276, entre Deodápolis e Ivinhema, a situação não é diferente. Há duas semanas o condutor de uma Kombi perdeu o controle do veículo e saiu da pista ao bater uma das rodas em buraco na rodovia. Seis pessoas estavam na Kombi, mas ninguém morreu.

Outro problema

Outra rodovia que tem gerado muita reclamação entre os condutores é a MS-147, entre Culturama e Lagoa Bonita (Deodápolis). No local há também curva acentuada e o trajeto passou a ser conhecido como “curva da morte”, pelo tantos acidentes já acorridos no local por falta de uma sinalização adequada. Na segunda-feira, um homem morador em Ivinhema morreu no local após passar direto na curva e bater o carro contra uma árvore e um poste. O acidente ocorreu à noite, por volta das 21h30.

A reportagem procurou o engenheiro responsável pela regional de Dourados da Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos (Agesul), Claudio Eduardo de Lima, mas não foi encontrado e o telefone particular dele não foi informado por sua equipe.

Perimetral

Se por um lado gestores pecam por sinalização nas rodovias, por outro, em algumas delas falham na qualidade do asfalto empregado, como ocorre na Perimetral Norte, também conhecido como Anel Rodoviário, entre a MS-156 e a BR-163. Entregue em julho de 2012, a rodovia que foi criada para desviar o tráfego pesado da cidade não tem resistido ao movimento de veículos. Prova disso é grande quantidade de buracos que aparecem na pista. Quem passa pelo local, hoje, pode constatar uma rodovia tomada por remendos como uma colcha de retalhos, mas também com a presença de buracos. Na semana retrasada o promotor de justiça Ricardo Rottuno, do Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito para apurar a qualidade do asfalto. No local será feito perícia técnica.