• Home »
  • Notícias »
  • Polícias rodoviárias preparam operações nas rodovias para a temporada de verão 2017

Polícias rodoviárias preparam operações nas rodovias para a temporada de verão 2017

As praias lotadas nos fins de semana, filas para entrar nos shoppings quando a chuva começa e o aumento das placas estrangeiras pelas cidades do litoral são os indicativos mais claros que mais uma temporada de verão já está batendo na nossa porta. A expectativa da Embratur é de que Santa Catarina receba cerca de 8,9 milhões de turistas nacionais e internacionais, cerca de 900 mil a mais do que a temporada anterior.Ao mesmo tempo que a notícia anima os setores de comércio, serviços e turismo, quando o assunto é mobilidade urbana os desafios crescem proporcionalmente ao número de visitantes.

 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar Rodoviária Estadual (PMRv) preparam operações especiais para o período, mas enfatizam que os maiores problemas ainda estão no comportamento dos motoristas, que abusam do álcool e do excesso de velocidade.

prf

— A gente teria que trabalhar com aqueles motoristas que têm falha de conduta, mas hoje a imprudência e a negligência nas nossas rodovias está virando uma regra. Entendemos que a maioria dos acidentes poderiam ser evitados, pois a maior parte deles tem relação direta na forma de conduzir o veículo — afirma o tenente coronel Fábio Martins, da PMRv.

Ações paliativas como a proibição de obras não-emergenciais na BR-101 durante o dia e fiscalização intensa prometem amenizar os problemas, porém o aumento do fluxo de veículos, junto a obras importantes de mobilidade não concluídas, como o elevado do Rio Tavares, na SC-405, em Florianópolis, deixam claro que a formação de filas será inevitável e vai exigir paciências dos condutores.

O inspetor da PRF, Carlos Possamai, explica que precisam acontecer alternativas viárias:

— Algumas rodovias estão saturadas. O trecho Norte da BR-101 na região de Itajaí e Balneário é um exemplo do que já não suporta mais, existe um conflito de trânsito. Na região de Itajaí ainda tem o porto, que faz com que o fluxo de cargas que cruza a rodovia seja ainda mais intenso do que no restante da BR-101, então já está sendo visto algumas alternativas, algumas ja deveriam ter acontecido, como o Anel Viário da Grande Florianópolis. Possivelmente mereceria também um outro naquela região pra desviar um pouco do fluxo, Itajaí tem fila praticamente o dia todo, não tem mais horário.

ENTREVISTAS

Inspetor Carlos Possamai – PRF

Quais são as ações da PRF para a temporada?

Inicia no dia 16 de dezembro a operação Rodovida com duração até cinco de março. Ela foca principalmente em reduzir a gravidade dos acidentes e seus custos para a sociedade. Isso é basicamente educação e a repressão em relação a algumas infrações que contribuem muito para o número de acidentes. Além disso, em Santa Catarina, existem os reforços regionalizados. Esse ano houve uma determinação para que na BR -101, na área pedagiada, não se possa fazer obras não emergenciais de 15 de dezembro até uma parte de fevereiro durante o dia. Próximo ao Natal e Ano Novo vai haver uma restrição total destas obras. Também em outras rodovias, se houver um problema grave em relação ao fluxo de veículos, a PRF pode proibir estas obras.

Quais são os pontos críticos de movimento e acidentes?

A gente tinha até um tempo atrás alguns trechos e pontos críticos em relação a temporada e fora de temporada, e notadamente o nosso trecho crítico, que é o segundo mais violento do Brasil fica entre Biguaçu, São José e Palhoça, na BR-101. Junto a ele tem a Via Expressa (BR-282) pegando uma parte de São José e Florianópolis. No verão se associava a estes trechos a região de Balneário Camboriú e Itapema. Todos continuam sendo trechos críticos, mas juntamente a eles surgem outros que não estavam nesse mapa. No oeste por exemplo, Chapecó surge como um ponto crítico quando há férias escolares. Jaraguá do Sul é um outro local que o trecho urbano tem aumentado significativamente as ocorrências. A região que comporta Gaspar, Blumenau e Indaial, que já é um trecho crítico fica ainda pior com as férias escolares. São pontos que, exceto a BR-470, na região de Blumenau, não constavam até então em mapas de trecho perigosos.

Muitos veículos estrangeiros circulam pelas estradas catarinenses e também cometem infrações. Como é a fiscalização destes veículos e a cobrança das multas?

Como todo brasileiro, o estrangeiro tem o direito de recorrer da notificação. Então existe um tempo hábil para fazer este recurso, não podemos cobrar na hora sem dar o prazo para o recurso. Como não existe um acordo internacional, não temos o endereço para enviar, então fazemos a notificação por edital e os prazos começam a correr. O que acontece é que muitas vezes o estrangeiro acaba saindo do país antes do fim do prazo. A novidade na lei, é que se o veículo estrangeiro no retorno ao Brasil tiver uma notificação de penalidade não paga, ele vai ser retido e somente liberado após o pagamento da notificação. Se for abordado na Aduana e constatado essa situação, o veículo nem entra no Brasil sem pagar. Se entrar por alguma fronteira que não aduana, e for abordado em alguma rodovia, pode ter o veículo retido até pagar essa notificação

Na Grande Florianópolis temos um dos trechos mais perigosos do Brasil da BR-101, e também a Via Expressa, que tem um grande movimento. Como PRF lida com estes trechos e se prepara para a temporada?

Volto a falar da operação Rodovida, que vai pegar a temporada mas também tem um estudo especifico para os 100 pontos críticos do Brasil, e se trata da aplicação de condutas que diminuem os riscos de acidentes. Isso inclui obras, campanhas de educação, vai durar um ano e possivelmente ser renovado anualmente. O que a gente nota é que Santa Catarina tem uma rodovia extremamente movimentada, é uma rodovia litorânea, então se caracteriza por ser uma rodovia turística, mas também para transporte de carga e ao mesmo tempo é uma região de moradia da maioria da população catarinense, ainda mistura essas características com o transporte urbano. A Via Expressa está tendo uma atenção especial, é uma rodovia extremamente movimentada, é a entrada da nossa capital. Quando a gente analisa a gravidade de trechos, se pegam trechos de 10 km, e a Via Expressa tem seis. Então se for ver a proporcionalidade, ela praticamente empata com esse outro trecho mais violento da BR-101. As nossas respostas estão sendo bem mais rápidas desde que começou a fiscalização permanente e vai permanecer pelo menos duas viaturas com quatro policiais dedicados exclusivamente naquele trecho. Também vão ser tomadas condutas em relação a engenharia de trânsito em toda a região. Já está sendo visto locais para mudança de alguns pontos de fiscalização estática, por exemplo, já houve algumas mudanças de entradas e saídas nas marginais e vai continuar tendo isso. Também fizemos a solicitação de colocação de mais passarelas no trânsito.

Tenente-Coronel Fábio Martins – PMRv

Como será a fiscalização nas rodovias estaduais?

Dividimos a temporada em duas operações distintas. As Festas, que é o cume dos acidentes, das ocorrências, do movimento e a própria operação Verão. Temos 56 bafômetros e 34 radares portáteis estáticos, também com aparelhos que permitem a utilização à noite. O foco esse ano, como todos os anos em virtude das ocorrências que a gente vem analisando, e chegamos a conclusão que o excesso de velocidade e a embriaguez ainda são os principais fatores dos acidentes de natureza grave e gravíssima em nossas rodovias, principalmente quando a gente fala de festas. Infelizmente nós entendemos que é muito da cultura, da educação, é um trabalho moroso, a gente precisa ter essa cultura que não é necessário a Polícia estar lá fiscalizando a todo momento dizendo o que o condutor tem que fazer. Vemos que a maioria dos acidentes poderiam ser evitados.

Operacionalmente, vai ter remanejo de policiais do interior para o litoral? O efetivo é suficiente?

 Esse ano, nós vamos receber 20 policiais, o comando rodoviário está em tratativa com o comando da PM e há essa sinalização positiva para que venham estes 20 para a PMRv e serão alocados no litoral, principalmente na região de Florianópolis. Com esse advento, não traremos policiais do interior, até porque a gente notou que o nível de ocorrências vem se mantendo também em outras regiões. Há 10 anos, durante o verão, as pessoas migravam do interior para o litoral, então caía bastante o movimento nas rodovias do interior, mas de uns cinco anos pra cá a gente vem notando que aumentou bastante a população no interior, houve um acréscimo de veículos, principalmente motocicletas, então precisamos manter o efetivo nessas regiões. No litoral, o que nós vamos fazer é intensificar é as escalas, a forma de atuação do policiais.

No Norte da Ilha existe uma tradição grande de casas noturnas e muitas festas na temporada. Está sendo pensada alguma ação específica de fiscalização para a SC-401?

A nossa preocupação se estende por todo o litoral de Santa Catarina. Aqui em Florianópolis é ainda mais acirrada, que é uma cidade que tem uma vocação turística, os eventos acontecem aqui, e a gente vem tomando algumas providências fazendo operações. Só que operacionalmente falando, uma operação para uma saída de festa, que é o clamor da sociedade, é inviável de forma operacional, porque teria que abordar todas as pessoas, fazer o teste de bafômetro em todas, e aí assim verificar que teríamos 40,50 prisões em flagrantes, encheríamos uma delegacia, e para que isso seja feito, é muito difícil. Então fazemos operações pontuais. Na SC-401, temos em torno de 12, 13 habilitações recolhidas por final de semana, se for analisar o todo que conseguimos fiscalizar, em torno de 8 a 9%, isso é um número alto. Todos são recolhidos por embriaguez, então a gente nota que essa mudança tem que partir do usuário.

No Sul da Ilha, na SC-405, a obra do elevado do Rio Tavares não foi concluída e a PMRv vai ter que lidar com as consequências disso, pois aquela região recebe um grande número de turistas.

Estamos nos preparando como todos os dias. A gente trabalha ali a inversão de pista, é uma ação extremamente perigosa. Na SC-405 temos alguns gargalos, um terminal de ônibus com um movimento bem grande, depois afunila para uma pista simples, saídas de praias extremamente movimentadas. O gargalo maior é aonde teríamos o elevado, a gente vai procurar no verão ter a viatura monitorando aquela área toda para tentar dar uma fluidez, mas de antemão eu já alerto que as filas ali serão inevitáveis. Já percebemos que o veiculação média diária da rodovia aumentou muito ao longo do ano, hoje está em torno de 48 mil veículos ao dia, por isso as filas são enormes. No verão estimamos um acréscimo de 25%, então não tem como evitar. No Réveillon de 2015 chegamos a contar 62 mil veículos.